Sala de Imprensa

Notícias

Usinas veem retomada no consumo de aço em 2017lista de notícias

27/10/2016 | Valor Econômico

Dois grandes produtores de aço no Brasil o grupo Gerdau e a ArcelorMittal ­estão confiantes na retomada do crescimento da economia brasileira em 2017 e, como consequência, em uma recuperação nos níveis de consumo de aço no mercado doméstico. "Há uma reversão das expectativas econômicas", disse ontem Benjamin Baptista Filho, presidente da Arcelor Mittal Aços Planos para a América do Sul. André Gerdau Johannpeter, presidente da Gerdau, foi na mesma direção: "O curto prazo ainda será difícil, mas a médio prazo, em um ano, veremos retomada e crescimento no Brasil."

Os dois executivos participaram ontem do encerramento do Congresso Latino­Americano de Aço, organizado pela Associação Latino­Americana do Aço (Alacero), no Rio. Baptista disse ter visão "relativamente otimista" em relação à recuperação da economia. Prevê crescimento de 1,5% no Produto interno Bruto (PIB) em 2017. "Se as reformas em pauta no governo forem feitas, talvez consigamos crescer mais rápido a partir de 2018." O consumo de aço tem relação direta com o desempenho do PIB.

Baptista avaliou que a perspectiva de crescimento de 3,8% no consumo aparente de aço no Brasil, em 2017, não é expressivo, mas indica um caminho. "Pelo menos parou de cair." O Alacero mostra que em 2016 o consumo de aço no Brasil deve cair algo como 14,4% sobre 2015. Mesmo nesse cenário, Baptista disse que a ArcelorMittal Tubarão, produtora de aços planos em Serra (ES), vem trabalhando a plena capacidade. A forma que a empresa encontrou de manter alta a taxa de ocupação foi a exportação. "Este ano devemos exportar 65% da produção", disse Baptista.

Segundo ele, a planta de Tubarão opera a plena capacidade desde 2015 e vem trabalhando com ganhos de eficiência e redução de custos, o que a torna competitiva para exportar mesmo com a valorização do real. A unidade opera com um volume de 7 milhões de toneladas de aço bruto por ano. Baptista também mostrou otimismo em relação aos potenciais efeitos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Disse que ainda há muita coisa a ser discutida, incluindo marco regulatório e fontes de financiamento. Mas salientou que, se esses pontos ficarem claros e for criada uma base de confiança, o programa tem potencial de alavancar investimentos em infraestrutura, o que beneficiará a construção civil e a siderurgia, a começar pelos aços longos.

Baptista também mostrou otimismo em relação aos potenciais efeitos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Disse que ainda há muita coisa a ser discutida, incluindo marco regulatório e fontes de financiamento. Mas salientou que, se esses pontos ficarem claros e for criada uma base de confiança, o programa tem potencial de alavancar investimentos em infraestrutura, o que beneficiará a construção civil e a siderurgia, a começar pelos aços longos.

André Gerdau destacou a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que coloca um teto para os gastos da União por 20 anos. Disse que a medida será importante para o equilíbrio das contas públicas. "O governo está conseguindo aprovar medidas importantes", disse o empresário.

Para Gerdau, os próximos seis a oito meses ainda serão difíceis para a economia brasileira, mas disse confiar que a médio prazo, dentro de um ano, será possível ver uma retomada no crescimento em função das medidas que estão sendo tomadas pelo novo governo, como as reformas e as concessões na área de infraestrutura. Citou as previsões de que a economia brasileira possa crescer entre 1,3% a 1,5% no ano que vem, o que levará à expansão no consumo de aço. "Qualquer número será melhor do que as quedas que tivemos nos últimos anos", afirmou. E completou: "A confiança mudou, mas ainda não se vê na prática."