Sala de Imprensa

Notícias

Demanda de aço deve permanecer baixalista de notícias

27/10/2016 | Diário do Comércio

No que depender da construção civil e da indústria automotiva, responsáveis por 60% do consumo de aço no País, a siderurgia nacional ainda não deve ver uma recuperação da demanda nos próximos anos. Os dois maiores consumidores de aço devem permanecer impactados por problemas particulares de cada um, além de questões estruturais do Brasil, como a falta de regras claras na economia, a desconfiança do investidor e a elevada carga tributária, o que acaba pesando na conta da fraca competitividade do portão da fábrica para fora.

“Hoje está muito difícil projetar números. Estamos vivendo um momento de grande incerteza no Brasil”, resumiu o diretor de Relações Institucionais da Fiat Chrysler Automóveis (FCA), Antônio Sergio Mello, ontem, durante palestra no 57º Congresso Latino Americano do Aço (Alacero-57), no Rio de Janeiro. Segundo ele, com uma capacidade de produção de 5 milhões de veículos leves e pesados, a indústria automotiva nacional opera hoje com ociosidade 40%, ou 2 milhões de unidades.

Além disso, para um mercado que já alcançou 2,7 milhões de veículos licenciados em 2013, este ano os emplacamentos devem ficar na faixa dos 1,5 milhão de veículos, 44% de queda em relação ao pico. Em termos de produção o cenário é o mesmo. Em 2013, saíram das linhas 2,8 milhões de automóveis e, para 2016, a previsão é de que 1,5 milhão de carros sejam produzidos, 46,5% a menos.

Mas a má notícia não para por aí. Conforme projeção feita pelo diretor de Relações Institucionais da FCA para o setor, em 2020, o mercado nacional deve alcançar um consumo da ordem de 3 milhões de veículos, ainda bem abaixo da capacidade do setor (5 milhões de unidades por ano), indicando que a demanda deve permanecer baixa. Menos automóveis produzidos, menos aço consumido.

Na indústria da construção nacional a situação é bem parecida. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, revelou que a projeção da entidade para o produto interno bruto (PIB) do setor para este ano é de queda de 5% sobre 2015, quando já havia sido registrada uma redução de 7% ante 2014.

Para Martins, a indústria da construção é tanto uma alavanca para a economia nacional quanto uma trava. Ao que parece, no momento o segmento está funcionando como trava, uma vez que os financiamentos imobiliários com qualquer fonte de recurso devem alcançar neste ano em torno da metade dos R$ 160 milhões a R$ 180 milhões do pico do setor em 2014.

Burocracia - Além disso, apesar do déficit habitacional do País, Martins alertou que, se há dez anos levava-se até seis meses, em média, para a aprovação da construção de um imóvel, hoje, o prazo é de três anos. “O grande desafio atual no Brasil é a burocracia. Cerca de 12% do preço de venda de um imóvel hoje vem do excesso da burocracia”, disse.

Em ambos os casos, os representantes dos dois setores defenderam as reformas trabalhista e tributária e a previsibilidade de regras para o retorno da confiança dos investidores. As expectativas acalentadoras ficaram por conta da necessidade de obras de infraestrutura e de suprir o déficit habitacional do País, bem como a baixa taxa per capita de veículos, o que pode indicar um mercado ainda com possibilidade de crescimento.

*O repórter viajou a convite do Instituto Aço Brasil (IABr)