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Analistas esperam IPCA abaixo da meta depois de surpresa em janeirolista de notícias

14/02/2017 | DCI

Alta de 0,38% registrada em janeiro último, inferior ao esperado pelo mercado, possibilitou uma revisão da previsão dos analistas para a inflação no acumulado deste ano, de 4,64% para 4,47%

São Paulo - O relatório de mercado Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC), apontou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar este ano com alta de 4,47%. Na projeção da semana passada, os analistas apostavam em avanço de 4,64%.

A mudança se deve à inflação de 0,38% registrada em janeiro, a menor para o primeiro mês do ano desde 1979. Apresentado na quarta-feira passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número levou várias consultorias a alterar suas apostas para o IPCA deste ano.

Foi o caso da GO Associados, que agora esboça aumento de 4,5% para os preços neste ano. Antes, a perspectiva era de crescimento de 4,8%.

Já a Tendências Consultoria deve mudar suas estimativas para alta de 4,3% ou 4,4%, de acordo com Marcio Milan, economista do grupo. A projeção anterior também era de avanço de 4,8%. "Os dados de janeiro vieram muito abaixo do esperado e abriram espaço para essas mudanças", esclareceu o especialista.

Professor de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), José Nicolau Pompeo disse que o recuo do IPCA tem a crise econômica como causa principal. "Essa desaceleração não é tão positiva, já que é causada pelo desemprego e pela quebra de empresas. Ela tem um alto custo para a sociedade."

Entre os fatores que contribuíram para a baixa recorde da inflação, destaque para o aumento de 0,35% nos preços do grupo alimentação e bebidas, que ficou bem abaixo da alta de 2,28% vista em igual período de 2016.

Além da fraqueza da demanda interna, decorrente da recessão, as condições climáticas favoráveis e a expectativa de uma safra recorde em 2017 colaboraram para preços melhores no ramo de alimentação.

"Existe previsão de uma oferta muito boa para vários produtos agrícolas durante este ano. Um desses itens é o feijão, que teve inflação muito elevada no ano passado e pode 'devolver' este aumento já nos próximos meses", comentou André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O entrevistado também destacou o recuo da inflação de serviços. "Ela diminuiu nas últimas divulgações e deve cair mais." Outro fator positivo seria o aumento menor dos preços administrados neste ano, que deve ser favorecido pela manutenção da tarifa do ônibus municipal em São Paulo.

Por outro lado, Braz indicou alguns fatores que podem puxar o IPCA para cima neste ano: a desvalorização do real e o avanço de preços da energia elétrica e de combustíveis.

No relatório Focus, as estimativas dos analistas top 5 - aqueles que mais acertam nas projeções - apontaram alta de 4,42% para a inflação neste ano, também abaixo do centro da meta do governo (4,50%).

Para 2018, as apostas dos analistas foram iguais. Tanto o relatório geral como o do top 5 apontaram IPCA a 4,5%.

Política monetária

Com a inflação mais controlada, há espaço para corte de juros. A estimativa do mercado financeiro para a taxa básica, a Selic, é de que feche em 9,5% ao ano em 2017, e 9% ao ano em 2018. Atualmente, a Selic está em 13% ao ano.

Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece na semana que vem, foi desenhado corte de 0,75 ponto percentual. Segundo Milan, os esboços para a taxa de juros seguem ritmo mais cauteloso. Isso porque fatores externos, como o governo de Donald Trump nos Estados Unidos, e internos, como a crise política, poderiam alterar o ritmo das reduções pelo Copom.

No caso dos analistas top 5, e eles também acreditam que a taxa chegará a 9,5% ao ano, em 2017, e a 9% ao ano, em 2018.

Estimativas

As perspectivas para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foram alteradas pelos analistas nesta semana. Para este ano, é esperado alta de 0,48%, contra 0,49% no relatório anterior.

Para 2018, entretanto, preços e taxa de juros menores devem favorecer avanço maior do PIB. A expectativa é de que suba 2,30%, acima do crescimento de 2,25% apontado no documento passado.

"Ainda que a Selic mais baixa possa ajudar, esse desempenho vai depender da economia internacional", ponderou Pompeo. Segundo ele, a trajetória do PIB americano e dos preços de commodities será determinante para o rendimento da atividade econômica brasileira nos próximos anos.

O esboço para a taxa de câmbio também foi alterado, para R$ 3,36 no final deste ano. Na semana passada, a projeção estava em R$ 3,40. Para o fim de 2018, outra mudança: os analistas estimam que a taxa estará em R$ 3,49, pouco abaixo dos R$ 3,50 desenhados no relatório anterior.

Já os membros do top 5 acreditam que o real ficará mais valorizado. Para o final deste ano, foi colocada taxa em R$ 3,25, contra R$ 3,50 na semana passada. Para 2018, a estimativa ficou em R$ 3,40, ante R$ 3,65 no outro documento.

Também houve mudança na projeção para a balança comercial brasileira de 2017. Agora, é esperado superávit de US$ 47,23 bilhões nas trocas com outros países. Antes, os analistas apontaram saldo positivo de US$ 46,50 bilhões.

Renato Ghelfi